From the Suspiros de Arena series, 2025
Sea sand on raw canvas
100 x 100 cm (39,4 x 39,4 pol.)
“Suspiros de arena” nasce de um gesto que se define entre o primitivo e o meditativo: pegar areia nas mãos e soltá-la intencionalmente sobre a tela crua, como se cada forma fosse um sopro suspenso, um suspiro que ancora o instante. Esta técnica evoca o ritmo orgânico da respiração: inspirar, expirar; pegar, soltar; existir.
As formas suaves que se revelam não procuram representar nada além de si mesmas. Não são imagens, mas presenças. Camadas de areia do mar que aludem à viagem invisível e persistente da areia através do vento, o seu trânsito constante entre lugares, tempos e corpos. Há nestas obras uma homenagem ao impermanente, mas também uma vontade de permanência: de fixar o efémero na memória da tela.
Suspiros de arena é uma prática de atenção plena onde o corpo, a matéria e o tempo se fundem. Não se trata de criar formas, mas de permitir que elas surjam. Na sua aparente suavidade, estas peças contêm a memória do movimento, a fragilidade do instante e um convite silencioso à presença.
