Da série Manigua, O Colecionador de História, 2026

Desenho em papel Fabriano 300 g Cold Press

aquarela sem ácido e plantas

203 x 103 x 10 cm (79,9 x 40,6 x 3,9 pol.)

Do ponto de vista etimológico, a origem do termo «manigua» remonta à língua dos taínos. Refere-se a um habitat onde a natureza é geralmente agreste, abundante e exuberante ao ponto de ser impenetrável, e ao qual se atribui um conjunto de crenças sobrenaturais. Num sentido cultural, a «manigua» é ritual, a «manigua» é sincretismo, a «manigua» é rebeldia, é cura e liberdade.

Na mata, os primeiros povoadores das Antilhas desenvolveram a sua vida quotidiana e, mais tarde, os escravos africanos reavivaram as crenças religiosas dos seus povos. Durante as guerras em Cuba, a mata ofereceu refúgio aos seres humanos e o conhecimento sobre as plantas que nela habitam foi utilizado para curar os feridos. Todo este saber ancestral encontra-se hoje preservado na cultura popular, nas mãos dos «yerberos» e dos herboristas que defendem zelosamente o potencial curativo e ritual das plantas que outrora foram colhidas da mata cubana.

Para mim, Manigua é mais do que um espaço natural, é um conceito: é o conhecimento que me acompanha para onde quer que vá e me ajuda na minha praxis quotidiana. Tão complexo é o seu entendimento que só na intersecção entre imaginário, escrita, ciência, arte e tradição é que encontro a sua representação mais exacta. Só traçando um "mapa cognitivo" é que consigo repensá-lo.  

Neste projeto, recorri ao livro de José Seoane Gallo, que, à beira de uma mudança social drástica no início da década de 1960, compilou uma série de testemunhos relacionados com a utilização de remédios à base de plantas medicinais existentes no campo cubano. O seu objetivo era preservar este saber popular, que parecia destinado a desaparecer. _Ariamna Contino